Mais de oitenta mil mulheres correm atrás de uma bola, gastando suor e talento, procurando notoriedade e o prazer de jogar futebol. Em abril de 1985, o Conselho Regional de Desportos, tornou legal aquilo que já era real. O futebol feminino já vinha sendo jogado há muitos anos. O grande problema sempre foi a discriminação. Para muitos, o futebol será sempre para homens. O lugar da mulher é em casa, cuidando dos afazeres domésticos. Mas, o mundo mudou. As mulheres estão ganhando seu espaço. No futebol também não poderia ser diferente.
O futebol feminino, que nasceu na Inglaterra em 1920, já é uma graciosa realidade. É verdade que nos últimos anos, muitas barreiras surgiram para impedir o crescimento do futebol feminino no Brasil. Mesmo assim, sabemos que nossa seleção brasileira já conseguiu vários campeonatos sul-americanos e sempre teve boa participação nos mundiais, o que já é um bom começo.
Como qualquer marmanjo, as meninas recebem vaias e aplausos, mas também muitos assobios e algumas exclamações de espanto. Elas já aprenderam a se desligar dos teimosos gritos de “sapatão” quando entram em campo para disputar uma partida de futebol. Já mostraram, na prática que, as restrições masculinas não passam de preconceitos. É bom lembrar que o futebol fornece uma grande bagagem de humildade, de acertos e erros, de recomeçar tudo de novo na outra partida. Se isto vale para os homens, vale para as mulheres também.
Em Alagoas, o futebol já esteve bem melhor do que os dias atuais. Dona Esmeralda, a grande batalhadora deste esporte entre nós, está ficando cansada, desiludida, desmotivada. Tudo que foi feito até hoje, foi graças a coragem e o amor pelo esporte de Dona Esmeralda. Ela sempre procurar colocar o futebol feminino em um lugar de destaque. Dava idéias, pedia apoio, corria atrás de dirigentes e patrocinadores, mas sempre recebia um “não” como resposta. Mesmo assim, continua sua luta para manter seu clube o “Alagoano” sempre como campeão de nossos torneios. Mas, é uma luta desigual. O machismo e a irreverência masculina estão sempre no caminho do desenvolvimento do futebol feminino que fica cada vez mais isolado, sem competições, sem apoio. Quem sabe, se de repente, não teremos num futuro bem próximo, um espetáculo esportivo com heroínas da paixão nacional.
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