sábado, 11 de abril de 2009

NOSSA RAINHA, POR ENQUANTO!!


Que o futebol feminino no Brasil não recebe nenhum apoio todo mundo já está cansado de saber. Que os resultados conquistados pelas meninas da seleção brasileira são fantásticos, tendo em vista o péssimo tratamento que elas recebem, é de conhecimento de todos. E que entre todas essas guerreiras existe uma que se sobressai entre todas, o mundo inteiro sabe, tanto que pelo terceiro ano consecutivo, ela é premiada a melhor jogadora do mundo.

Marta, que trocará o Umea da Suécia pelo Los Angeles dos Estados Unidos, foi coroada hoje em festa solene da FIFA, a melhor jogadora do mundo. É o terceiro prêmio consecutivo conquistado pela atleta de apenas 22 anos. Dessa maneira, a brasileira se consolida como umas das maiores jogadoras da história do futebol feminino, podendo assim ganhar o carinhoso apelido de Marta, “A Rainha”, já que o mundo já a reconhece como a melhor de todas.

A brasileira conseguiu vencer pelo terceiro ano consecutivo com muita facilidade. Ela recebeu 1.002 pontos, mais do que o triplo da segunda colocada, a alemã Birgit Prinz que somou 328. A terceira colocada foi a também brasileira, a atacante Cristiane.

Marta teve uma infância humilde. Ela nasceu em Dois Riachos, cidade pobre com cerca de 11 mil habitantes no sertão de Alagoas, que fica a 187 km da capital, Maceió. Os primeiros chutes foram aos sete anos, no leito seco de um dos rios da cidade. Debaixo de uma ponte, com traves de bambu e bola colada com borracha quente, a atacante desenvolveu o talento. O futebol era uma das poucas formas de diversão. Filha de Dona Teresa, que por muitos anos foi zeladora da cidade, Marta ajudava como podia em casa. Vendia feijão em uma feira, picolé pela rua. E usava parte do lucro para comprar equipamentos esportivos.

Aos nove anos ela começou a jogar em um time de futsal da cidade, convidada por um professor de educação física. Marta cursou até a 5ª série. Matava a aula para jogar bola. E acabou abandonando os estudos. Pouco tempo depois ela foi para o CSA, e em seguida, para o Rio de Janeiro, tentar uma vaga no Vasco. Faltou ao primeiro teste. No segundo, conseguiu passar. Por algum tempo morou em São Januário. Quando completou 18 anos, foi convidada a jogar na Suécia, onde estava até a última temporada.

A atacante chegou à Suécia em pleno inverno. Com temperaturas em torno dos 15 graus abaixo de zero. Ficou assustada. Mas recebeu todo o apoio do Umea. Ganhou um apartamento pago pelo clube e um salário que usava para ajudar a melhorar a vida da família. Tentou levar a mãe para morar com ela, mas lá não havia "Domingão do Faustão" na televisão. E a idéia foi logo abandonada. As boas atuações fizeram Marta ganhar projeção. O apelido "Pelé de saias" logo surgiu.

Em 2004, foi o destaque do Brasil na Olimpíada de Atenas. E o país ganhava, pela primeira vez, uma medalha de prata no futebol feminino. Ainda em 2004, Marta disputou pela primeira vez o prêmio de melhor jogadora da FIFA. Ficou em terceiro lugar. Em 2005, ela terminou em segundo. A consagração veio no ano passado. Marta era eleita pela primeira vez pela FIFA a melhor jogadora do mundo. Ela chorou, dedicou o prêmio à mãe e pediu apoio ao esporte no Brasil.

Marta foi tetracampeã sueca pelo Umea, sendo eleita duas vezes a melhor jogadora do campeonato. Na última Copa do Mundo, na China, em 2007, a brasileira levou para casa a chuteira de ouro, como artilheira da Copa do Mundo, e a bola de ouro, como melhor jogadora. Ela já quebrou um recorde na seleção. Com dez gols, ela é a maior artilheira do Brasil em Copas do Mundo. Mas a seleção perdeu a final para a Alemanha por 2 a 0. Já nas duas últimas Olimpíadas, a camisa 10 ajudou a seleção a conquistar a medalha de prata.

Nenhum comentário:

Postar um comentário