sábado, 11 de abril de 2009

NOSSOS SOFRIMENTOS!!

O Corinthians contratou Cristiane e sonhou com Marta após a medalha de prata conquistada pela seleção brasileira nas Olimpíadas de Pequim. A aventura, porém, durou pouco. Menos de um ano depois de anunciar o ambicioso projeto, o clube acabou com seu time feminino próprio e deixou diversas jogadoras desempregadas.

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Ao lado de Andrés Sanchez, Juliana Cabral participa de lançamento de carro do time
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Sem dinheiro e patrocínio para financiar uma equipe, a diretoria fechou uma parceria com o São Caetano/Unip e dispensou a maioria das atletas que integraram o grupo alvinegro.

As jogadoras dispensadas reclamam de terem sido traídas pela diretoria alvinegra. Segundo elas, o aviso de que o time acabaria foi feito em cima da hora, quando já tinham, inclusive, agendado a reapresentação do elenco para a temporada 2009 - que ainda não tem calendário definido.

"A nossa primeira reapresentação estava marcada para o dia 20 de janeiro. Aparecemos lá e pediram que voltássemos depois das eleições da presidência do clube. Passada a vitória do Andrés, nos ligaram dizendo que era para que retornássemos depois do Carnaval. Mas, quando voltamos, avisaram que essa parceria tinha sido fechada e nós estávamos dispensadas. Somente três jogadoras do antigo grupo foram aproveitadas nesse 'novo time' do Corinthians", afirmou a zagueira Juliana Cabral, capitã da seleção medalha de prata nos Jogos de Atenas-04 e também da equipe alvinegra no ano passado.

"O time com o qual o Corinthians fechou parceria já tem um elenco formado. A comissão técnica foi trocada e esta nova equipe só precisava de uma atacante, uma meia e uma goleira. Três das meninas que estavam com a gente e atuam nessas posições toparam ficar. Todas as demais foram cortadas", completou Juliana.

Karina, que também integrou o time que não conseguiu cumprir as metas traçadas pela diretoria - vencer o Campeonato Paulista e a Copa do Brasil -, reforçou o coro de Juliana Cabral. Ela, porém, focou sua revolta em Andrés Sanchez, presidente do clube.

"Depois que os campeonatos acabaram, o Andrés falou que teríamos mudanças, que teríamos um orçamento reduzido, mas garantiu que todas as jogadoras seriam mantidas. Mas não foi isso que aconteceu. Ele foi desleal com a gente. Ele deveria ter sido homem de ter falado a verdade para nós", disparou Karina.

"Ele [Andrés Sanchez] não gosta de futebol feminino. Chegou até a dizer isso em uma reunião. No começo, quando a Cristiane chegou, ele foi atencioso. Mas, na hora em que mais precisávamos de apoio, ele virou as costas", completou a jogadora.

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Cristiane, artilhera do Brasil na Olimpíada, foi a grande estrela do time do Corinthians
CONFIRA O PERFIL DE CRISTIANE
As atletas também denunciam que não possuíam qualquer vínculo com o Corinthians. Nenhuma delas jamais assinou um contrato com o clube ou trabalhava com carteira assinada. Elas recebiam, entretanto, um salário mensal que era depositado em uma conta no Bradesco e contavam com assistência médica da Medial, que, no ano passado, patrocinava a equipe masculina.

Sem acordo formal, elas prometem processar o clube. "Eu não queria isso. Mas tenho que procurar meus direitos", disse Juliana Cabral. "É uma situação complicada. Estamos saindo com uma mão na frente e outra atrás. Não podemos deixar isso barato", completou Karina.

Procurada pela reportagem do UOL Esporte, Cristiane Gambaré, dirigente que coordenou os trabalhos do futebol feminino na última temporada, afirmou que a inexistência de contrato com as jogadoras é procedimento de praxe no clube.

"Apesar de profissional, o futebol feminino é considerado esporte amador. Não precisa ter contrato, carteira assinada nem nada. Pagávamos uma ajuda de custo às jogadoras todo mês e o único vínculo que elas tinham com o clube era o da inscrição em campeonatos", afirmou. A exceção era a jogadora Cristiane, que além de acordo com o clube possuía contrato com o Hospital Villa-Lobos, que bancava o salário da atleta.

A diretora, que afirma não ter participado do fechamento da parceria com o São Caetano/Unip, está se distanciado da administração da equipe feminina. "Todo este acordo foi tramado pela presidência. O Andrés sabe o que é melhor para o clube. Infelizmente, não tínhamos como sustentar uma folha salarial que girava entre R$ 60 e R$ 70 mil sem um patrocinador. Por isso não pudemos manter as jogadoras", completou.

A reportagem consultou o advogado do Sindicado dos Atletas do Estado de São Paulo, Washington Rodrigues, sobre a situação das atletas. Segundo ele, os casos devem ser analisados individualmente, mas que a ação judicial é possível. "Não há como dar um parecer sem conhecer todas as circunstâncias. Tem a questão do direito de imagem, por exemplo. Se elas puderem comprovar vínculo empregatício, subordinação, é cabível. Porque nessa situação é necessário um contrato

NOSSA RAINHA, POR ENQUANTO!!


Que o futebol feminino no Brasil não recebe nenhum apoio todo mundo já está cansado de saber. Que os resultados conquistados pelas meninas da seleção brasileira são fantásticos, tendo em vista o péssimo tratamento que elas recebem, é de conhecimento de todos. E que entre todas essas guerreiras existe uma que se sobressai entre todas, o mundo inteiro sabe, tanto que pelo terceiro ano consecutivo, ela é premiada a melhor jogadora do mundo.

Marta, que trocará o Umea da Suécia pelo Los Angeles dos Estados Unidos, foi coroada hoje em festa solene da FIFA, a melhor jogadora do mundo. É o terceiro prêmio consecutivo conquistado pela atleta de apenas 22 anos. Dessa maneira, a brasileira se consolida como umas das maiores jogadoras da história do futebol feminino, podendo assim ganhar o carinhoso apelido de Marta, “A Rainha”, já que o mundo já a reconhece como a melhor de todas.

A brasileira conseguiu vencer pelo terceiro ano consecutivo com muita facilidade. Ela recebeu 1.002 pontos, mais do que o triplo da segunda colocada, a alemã Birgit Prinz que somou 328. A terceira colocada foi a também brasileira, a atacante Cristiane.

Marta teve uma infância humilde. Ela nasceu em Dois Riachos, cidade pobre com cerca de 11 mil habitantes no sertão de Alagoas, que fica a 187 km da capital, Maceió. Os primeiros chutes foram aos sete anos, no leito seco de um dos rios da cidade. Debaixo de uma ponte, com traves de bambu e bola colada com borracha quente, a atacante desenvolveu o talento. O futebol era uma das poucas formas de diversão. Filha de Dona Teresa, que por muitos anos foi zeladora da cidade, Marta ajudava como podia em casa. Vendia feijão em uma feira, picolé pela rua. E usava parte do lucro para comprar equipamentos esportivos.

Aos nove anos ela começou a jogar em um time de futsal da cidade, convidada por um professor de educação física. Marta cursou até a 5ª série. Matava a aula para jogar bola. E acabou abandonando os estudos. Pouco tempo depois ela foi para o CSA, e em seguida, para o Rio de Janeiro, tentar uma vaga no Vasco. Faltou ao primeiro teste. No segundo, conseguiu passar. Por algum tempo morou em São Januário. Quando completou 18 anos, foi convidada a jogar na Suécia, onde estava até a última temporada.

A atacante chegou à Suécia em pleno inverno. Com temperaturas em torno dos 15 graus abaixo de zero. Ficou assustada. Mas recebeu todo o apoio do Umea. Ganhou um apartamento pago pelo clube e um salário que usava para ajudar a melhorar a vida da família. Tentou levar a mãe para morar com ela, mas lá não havia "Domingão do Faustão" na televisão. E a idéia foi logo abandonada. As boas atuações fizeram Marta ganhar projeção. O apelido "Pelé de saias" logo surgiu.

Em 2004, foi o destaque do Brasil na Olimpíada de Atenas. E o país ganhava, pela primeira vez, uma medalha de prata no futebol feminino. Ainda em 2004, Marta disputou pela primeira vez o prêmio de melhor jogadora da FIFA. Ficou em terceiro lugar. Em 2005, ela terminou em segundo. A consagração veio no ano passado. Marta era eleita pela primeira vez pela FIFA a melhor jogadora do mundo. Ela chorou, dedicou o prêmio à mãe e pediu apoio ao esporte no Brasil.

Marta foi tetracampeã sueca pelo Umea, sendo eleita duas vezes a melhor jogadora do campeonato. Na última Copa do Mundo, na China, em 2007, a brasileira levou para casa a chuteira de ouro, como artilheira da Copa do Mundo, e a bola de ouro, como melhor jogadora. Ela já quebrou um recorde na seleção. Com dez gols, ela é a maior artilheira do Brasil em Copas do Mundo. Mas a seleção perdeu a final para a Alemanha por 2 a 0. Já nas duas últimas Olimpíadas, a camisa 10 ajudou a seleção a conquistar a medalha de prata.